Radiometria de imagens TM e ETM+
Observações importantes:
Um procedimento bastante comum entre os usuários de dados
orbitais é a conversão dos números digitais das imagens em
valores físicos como Radiância e/ou Reflectância (aparente
ou de superfície). Essa conversão pode ser efetuada de duas
formas básicas:
a) utilização de valores de
Lmim e Lmax (em cada banda espectral) apresentados na literatura: em se
tratando de dados TM, as imagens cujas datas de aquisição
estão compreendidas de 1 de março de 1984 a 4 de maio de 2003,
devem ser utilizados os valores de Lmim e Lmax apresentados na Tabela 1
(Chander e Markhan, 2003), em amarelo. Caso as imagens sejam datadas
após 4 de maio de 2003, devem ser utilizados os valores de Lmim e Lmax
apresentados nessa mesma Tabela 1, em verde. Em se tratando de imagens ETM+,
recomenda-se consulta à página:
http://ltpwww.gsfc.nasa.gov/IAS/handbook/handbook_htmls/chapter9/chapter9.html#section9.2.2.
Importante salientar que a aplicação desses
valores de Lmim e Lmax resultará em valores de radiância em
W(m2.sr-1.mm-1);
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Tabela 1 - Valores de Lmim, Lmax, Ganho (G) e
Offset (B) a serem aplicados às imagens TM. |
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b) utilização de valores de
ganho (G) e offset (offset) disponibilizados em cabeçalhos (headers) das
próprias imagens quando disponibilizadas em formato FAST FORMAT: esses
valores são gerados pelo sistema adotado pela DGI na
geração das imagens nesse formato. Eles são dependentes da
freqüente atualização dos aplicativos responsáveis
pelo processamento das imagens, o que nem sempre acontece com a rapidez
necessária e desejada. Recomenda-se fortemente a não
adoção dessa forma de conversão dos números
digitais. Para o caso de imagens TM, Chander e Markhan (2003) apresentaram
valores de G e offset, conforme Tabela 1. Para os produtos ETM+, recomenda-se o
uso de valores de Lmim e Lmax. Outro detalhe importante refere-se à
unidade de medida da Radiância resultante da aplicação de G
e offset apresentados nas imagens disponibilizadas em FAST FORMAT, que seria
mW(cm-2.sr-1). Para determinação de valores de radiância em
mW(cm-2.sr-1.mm-1), o usuário deverá dividir os valores
resultantes pela largura da banda em mm;
Ainda, usuário deve antes de efetuar essa
conversão atentar para os seguintes aspectos:
a) qual o nível de
correção pretende disponibilizar a imagem (nível 0-sem
correção alguma, nível 1- somente com
correção radiométrica e nível 1g-com
correções radiométrica e geométrica): a escolha do
nível 0 implica que o usuário irá trabalhar com os dados
em sua forma mais bruta. Geralmente as imagens possuem em sua aparência
faixas quase horizontais oriundas de diferenças das sensibilidades
radiométricas dos 16 detetores de cada banda (TM e ETM+). Entende-se que
quando da escolha desse nível 0, o usuário pretende efetuar algum
trabalho de pesquisa que requeira a comparação direta entre o
valores de Radiância medidos pelo sensor e valores de Radiância
medidos em campo, por exemplo. A escolha do nível 1 implica em uma
imagem livre das faixas quase horizontais, uma vez que seu principal objetivo
é igualar as sensibilidades dos 16 detetores entre si. Contudo, a
adoção de quatro diferentes critérios de
correção (nasa, ccrs, nasa-cpf e ccrs-cpf), resulta em imagens
radiometricamente diferentes entre si. A extensão cpf (Calibration
Parameter File) refere-se ao cálculo de coeficientes de
calibração oriundos da calibração interna do
sensor, elaborada a partir de lâmpadas de referência. Para o caso
do sensor TM, essas lâmpadas já não funcionam desde meados
da década de 90, porém preferiu-se manter a extensão cpf,
referindo-se então aos coeficientes mais atuais de
calibração, determinados por métodos empíricos e
algébricos. Para o caso do sensor ETM+, somente podem ser aplicados
nasa-cpf ou ccrs-cpf. A DGI/INPE está adotando como padrão de
todas as imagens os coeficientes ccrs-cpf. Qualquer alteração
desejada nesse critério, deve ser expresso no ato da
concretização do pedido de compra das imagens. A
adoção de níveis de correção 1 e 1g, implica
em alterações nos valores originais (nível 0) de ND. Sendo
assim, é evidente que a aplicação dos valores de
L mim, Lmax ou G e B, resultarão em valores diferentes de ND para
um mesmo pixel entre imagens 1 e 1g. A Figura 1 apresenta os valores de
números digitais de um mesmo pixel extraídos de imagens TM
processadas mediante a adoção desses diferentes critérios
de calibração relativa e sobre as quais foram aplicados
diferentes níveis de correção.
A inexistência de um gráfico para a banda 1 se
justifica pelo fato de que os valores de ND apresentaram-se saturados (255) no
nível 0 (n0). Observa-se portanto que a aplicação de
coeficientes nasa e ccrs apresentam valores resultantes de ND relativamente
semelhantes, o mesmo acontecendo com os coeficientes nasa-cpf e ccrs-cpf.
Apesar das diferenças esperadas entre os valores de ND de imagens 1 e
1g, estas não parecem muito significativas para o caso em
questão. Porém há de se observar o tipo de paisagem que se
está trabalhando. Quando houver muita diversidade espectral entre alvos
vizinhos (imagem com grande variância), são esperadas maiores
interferências em um mesmo pixel entre imagens 1 e 1g.
b) formato final de disponibilidade da imagem
(HDF, FAST FORMAT, GeoTiff etc): a adoção de diferentes formatos
nas imagens a serem disponibilizadas aos usuários não acarreta
qualquer alteração nos valores de ND.
Texto compilado pelo pesquisador Dr. Flávio Jorge Ponzoni
- INPE/DSR
Referências:
Chander, G.; Markham, B. Revised Landsat 5 TM radiometric
calibration procedures and post-calibration dynamic ranges. 2003.
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